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SAÚDE BUCAL

Antiga demanda da classe odontológica, fluoretação de água é implementada em Cuiabá

Em maio deste ano, a empresa responsável pela prestação de serviços de saneamento na capital mato-grossense – implantou o programa de fluoretação das águas de abastecimento público do município. De acordo com a concessionária, o trabalho contemplará todas as estações de tratamento de água da cidade e atingirá aproximadamente 600 mil pessoas.

A medida é uma antiga demanda da classe odontológica de Cuiabá. Dados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) comprovam a eficácia da fluoretação da água, política que reduz a incidência de cárie dental entre 50% e 65% em populações sob a exposição contínua.

Para os especialistas, o programa de fluoretação é um processo seguro, econômico e adequado. A professora doutora em cariologia e pós-doutora em odontologia preventiva e social Gisele Pedroso Moi ressalta a atuação dos cirurgiões-dentistas na conquista do programa de fluoretação da água em Cuiabá.

“As entidades da classe odontológica mato-grossense vêm se articulando e discutindo este assunto há quase 30 anos com o Ministério Público, políticos e membros da sociedade civil. Cuiabá tem apresentado índices de cárie bem superiores ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”, declarou.

De acordo com Gisele, no último levantamento epidemiológico de Saúde Bucal, a população cuiabana apresentou um CPO-D (índice de cárie dental), aos 12 anos, de 2,40 (1,97-2,84) – número consideravelmente superior ao recomendado pela OMS para esta faixa-etária no ano de 2010. O ideal seria que o índice revelasse um número inferior a 1,0.

A especialista também enfatiza que, tanto em nível de ordenamento jurídico nacional quanto estadual, é obrigatoriedade do setor público o fornecimento de água fluoretada à população – atribuição incorporada em Mato Grosso por meio da Lei nº 5610/1990.

HETEROCONTROLE – Evidências científicas apontam que a fluoretação da água de abastecimento representa um dos métodos mais importantes e eficazes na prevenção e controle da cárie dental da história da humanidade.

O método é barato, simples e tem um alcance estrondoso, já que pode atingir toda a população nos diferentes ciclos de vida e condições socioeconômicas. Porém, para que não haja efeito tóxico colateral, deverá existir um rigoroso heterocontrole da fluoretação da água de abastecimento público, tanto por parte da Águas Cuiabá, quanto pela Vigilância Sanitária.

“As evidências científicas asseguram que, quando ingerido na concentração adequada, o único efeito colateral do componente químico é a fluorose dental muito leve ou leve – que clinicamente passa despercebido e não afeta negativamente a qualidade de vida da população. Desta forma, quando utilizado na forma e dosagem corretas, o íon flúor se mostrou um método seguro e eficaz no controle da doença cárie”, explicou Gisele.

Em países tropicais, a concentração de íon flúor recomendada para a suplementação das águas de abastecimento público é de 0,7 ppmF-.

Secretário do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT), José de Figueiredo Loureiro Júnior destaca que o CRO desempenha importante papel na fiscalização e manutenção do programa de fluoretação da água em Cuiabá.

“Por meio da Comissão de Políticas Públicas, o Conselho poderá auxiliar na realização de monitoramento da implantação, bem como acompanhar a continuidade e o heterocontrole do programa de fluoretação da água de abastecimento”, explicou.

O PROJETO – O programa de fluoretação da água em Cuiabá passou por várias fases de implantação. Segundo a assessoria da concessionária, as etapas foram desde a fase de aquisição do insumo a ser utilizado (ácido fluossilísico a 20%), até as adequações estruturais nas 11 Estações de Tratamento de Água (ETA) do município. Também houve o treinamento das equipes operacionais para manuseio e análises técnicas.

ZF PRESS – ASSESSORIA DE IMPRENSA DO CRO-MT

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